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Quando se fala em vigilância, logo vem a mente a imagem de uma câmera, um observador por trás dos monitores. É um modelo naturalizado no século XX, que com o advento do big data, está se tornando obsoleto.

O modelo de vigilância do Panóptico de Benthan, descrito por Foucault (2014) em “Vigiar e Punir”, se baseia no par ver-ser-visto, a partir de um ponto de observação central, com o vigilante tendo ampla visão do vigiado e este nenhuma visão do vigilante, presumindo assim a sua vigilância.

Com a emergência da mobilidade e do capitalismo de vigilância (Shoshana Zuboff, 2015), surgiram novas sistematizações de modelos de vigilância. Zigmunt Bauman (2013) em “Vigilância Líquida”, apresenta o modelo do Panóptico pessoal, onde o indivíduo torna-se vigilante de si e seus pares, carregando seu próprio Panóptico, materializado como seus smartphones e dispositivos conectados. O que Bauman descreve, dialoga com o que Fernanda Bruno (2013), em “Máquinas de ver, Modo de Ser. Vigilância Tecnologia e Subjetividade” descreve como Vigilância Distribuída, que tira a centralidade da vigilância, principal característica do Panóptico.

Sandra Braman (2006) no livro “Change of State – Information, Policy, and Power”, apresenta o Panspectron, como o modelo de vigilância adequado ao advento do big data. Segundo a autora, o foco do Panspectron não é o indivíduo em particular, seu foco está nos dados, e sua ação focal se dá em resposta a padrões.


Extraído do texto: “Vigilância cega, o que as pegadas digitais podem revelar sobre o indivíduo” – O artigo completo pode ser acessado nos anais do evento ou no ResearchGate.

Referências

BAUMAN, Z. Vigilância Líquida. In: MEDEIROS, C. A. (trad.). [s.l.]: Zahar, 2014. 160 p. ISBN: 978-8537811566.

BRAMAN, Sandra. Change of State – Information, Policy, and Power. Nature Publishing Group. London, England: The MIT Press, 2006. 570 p. ISBN: 9780262025973.

BRUNO, Fernanda. Máquinas de ver, modos de ser: vigilância, tecnologia e subjetividade. 1 ed. Porto Alegre: Sulina, 2013. ISBN: 9788520506820.

CARIBÉ, J. C. R. Vigilância cega, o que as pegadas digitais podem revelar sobre o indivíduo. In: II Simpósio Internacional Network Science. Rio de Janeiro, 2018.

FOUCAULT, M. Vigiar e Punir o nascimento da prisão. 29 ed. São Paulo: Editora Vozes, 2004. 266 p. ISBN: 8532605087.

ZUBOFF, S. Big other: Surveillance capitalism and the prospects of an information civilization. Journal of Information Technology, [s.l.], v. 30, no 1, p. 75–89, 2015. ISBN: 02683962, ISSN: 14664437, DOI: 10.1057/jit.2015.5.